Tenho um hobby bastante peculiar para minha personalidade: novelas. Sim, eu sei que no mundo que respira produtividade, eu bem que poderia ocupar minhas horas livres com uma série baseada em fatos reais, filmes legendados que me ajudassem a melhorar o inglês, livros… o que eu acabo fazendo, ocasionalmente. Porém, quando penso na atividade mais prazerosa das minhas horas de descanso, nada me faz mais feliz do que: assistir novela.
Hobby não precisa de agregar nada, ele já te completa por se só. Nas palavras da minha amiga Maiara, no hobby você não “tem que nada”, você só “tem que ser”. Nele não há obrigações, não há tempo, não há cobrança, não há método. Ele existe até o ponto em que aquele passatempo continua sendo prazeroso.
Nos meus dias de maior inquietude, quando todo o resto parecia exaustivo demais, desconfortável demais, triste demais, a calmaria vinha e continua vindo dos minutos ou das infinitas horas que passo assistindo novelas.
De tempos em tempos, esse hobby excessivo também se torna corriqueiro e me enjoa, como agora. Por isso, achei que fosse dar um tempo. Só que hoje começa a nova novela das nove e sabem quem é o ator protagonista? Ele, o Chay Suede.
Minhas amigas da época da Capricho sabem e minhas primas mais novas – influenciadas por mim por livre e espontânea excessiva exposição de conteúdo – que o Chay é meu ator favorito desde 2010. E tocando nesse assunto, até hoje lembramos com carinho do dia em que assistimos Rebelde Brasil em Trindade e o Tomás e a Carla se beijaram pela primeira vez. Foi também pelo meu hiper foco no Chay, naquela época, que desenterrei todos os vídeos das apresentações dele no Ídolos e até hoje, quando queremos relembrar os velhos tempos, cantamos em como “Saideira” e “Jorge Maravilha”.
Quando ele namorou a Manu Gavassi então, eu fui ao ápice! Meu colírio favorito com minha it girl favorita, melhor casal da época em que Capricho e MTV eram minha vida, não poderia existir. Curioso, que hoje, mesmo separados, a Manu continua sendo minha maior inspiração de artista e ele, minha eterna paixãozinha adolescente. E guardadas as devidas admirações adultas pelo trabalho genial de cada um deles, era o melhor destino que seguissem separados. “Deve ser horrível dormir sem mim” comprova isso.
Reconheço que tudo isso parece, e é coisa de tiete adolescente. E ainda que uns 15 anos tenham se passado, eu continuo acompanhando o Chay em praticamente todos os trabalhos. Por aqui, ele nunca perdeu o título do homem que mais tem “o molho” no Brasil. Pomarola, corre aqui! Ah, para os bons entendedores, ela entendeu essa sacada muito bem.
E por nunca ter deixado de acompanhá-lo, mês passado estive em São Paulo especificamente e unicamente para assistir, ao vivo e a cores a peça dele que estava em cartaz: “A vida e as opiniões do Cavaleiro Roobertchay”. E cara, aquele momento foi tão peculiar pra mim que já faz um mês que tudo aconteceu e até hoje não consegui transformar em palavras a experiência que foi assisti-lo no teatro naquele 19/04/2026; e caso já tivesse conseguido teria o feito entre meus garranchos, dada minha facilidade com a escrita.
Ao não conseguir, ainda, nomear o que senti vendo-o tão de pertinho no teatro, percebo-me mais apática do que maravilhada. Por vezes, tendo a pensar que o personagem se mistura com o ator, que por sua vez se confunde com o ser humano, Chay. Só que naquele dia, eu não me comportei como uma fã enlouquecida pelo “ídolo” que estava a poucos metros de mim, ao contrário, eu assisti a peça com olhar crítico para escrita e para a performance artística, muito profundos, por sinal. E por vezes, por mais que eu estivesse diante do meu ator preferido, aquele que arrancou suspiros adolescente no auge dos meus quinze anos, hoje, a Lorena dos trinta sentiu uma dificuldade imensa em enxergá-lo como um colírio e repousa sua admiração no humano Chay. De certa forma, ainda incompreendida, ver seu ídolo de perto também é sobre humanizar o ator. Adaptando uma frase de Platão “a melhor coisa que podemos fazer por aquele que admiramos é crescer como seres humanos” e aqui repousa o amadurecimento como reconhecimento de humanidade do outro. Se é humano, logo, tão similar a todos nós.
Nesse sentimento, ainda em fase de amadurecimento, enxergo muito a Lorena adulta realizando os sonhos da Lorena adolescente. Por mais que a muitas pessoas – e até eu mesma, em algumas oportunidades – considere superficial demais e até imaturo dar tanta importância aos sonhos bobos de quinze anos atrás, realiza-los, ainda que nos julguem adultas demais pra isso também é uma forma de auto acolhimento. Fazer a Loreninha do passado feliz também é uma forma de construir a Lorena que estou me tornando.
Se hoje, eu me considero forte, livre e corajosa, é porque tenho escolhido diariamente sustentar os íntimos desejos daquela Lorena que sonhou lá atrás e que manteve a chama, ainda que baixa, viva daquele pequeno sonho que antes parecia tão distante e impossível.
Manter-se firme no presente também é sobre acolher os sonhos daquela menininha do passado. E hoje, eu tenho certeza que a Lorena que vibrou tantas vezes pelo Chay cantando em Rebelde, está muito orgulhosa da Lorena que hoje tem coragem e escrever e publicar essas palavras.
Por essa e mil outras razões, não deixem de lado os sonhos da criança e da adolescente que vocês já foram um dia. Elas não só estão aplaudindo em vocês estão se tornando, mas acima de tudo, orgulhosas em saber que elas não ficaram esquecidas ou até engolidas pelos percalços da vida adulta.
E, por ainda amar muito a adolescente que um dia fui, pelas razões acima expostas, como diria eu mesma escrevendo minhas petições, seguirei nutrindo, pelos próximos meses, meu mais delicioso hobby: assistir a novela “Quem ama cuida” pelo motivo único e exclusivo de ver o Chay.


