Qual cor eu passo amanhã?

Pintei as unhas de preto. Nada demais.

Pintei as unhas – dos pés – de preto. Uau!!!

Em um passado imperfeito teria dito que isso nunca aconteceria. Pelo que me recordo, nos últimos dez anos da minha vida eu sempre, repito, sempre, passei esmalte claro nos pés. Salvo raras exceções, dentre elas uma vez em que achei que lilás seria um “quase branco”, ou que o verde Tiffany clarinho combinaria com a cor da Cachoeira Santa Bárbara, ou no Réveillon 2024/2025 em que achei e usar um look inteiro prata (inclusive as unhas) seria o ápice o estilo. Tirando esses recortes nada convencionais, sempre branco.

Quem sabe, por ideias fetichistas eu tenha tido coragem para arriscar drasticamente. Pra quem sabe ler, talvez é uma afirmação disfarçada dita por aqueles que têm medo de revelar o inconfessável. Espero que tenham entendido.

Pintei de preto. Estranhei. Estranhei de novo. Agradei. Gostei. Gostei de novo. Empoderei-me.

Por que não? Por que não mais vezes? Por que não outras cores?

Por qual razão e por tanto tempo até a cor do esmalte foi tão aprisionante a ponto de me impedir ter coragem em arriscar algo diferente? A melhor parte é que “I like it”, eu ameei!! E eu que sempre gostei de me descrever cantando em alto e bom som com Rick e Renner “uma deusa, uma louca, uma feiticeira”, deixei que o apego a uma simples cor me impedisse de ser quem eu quisesse.

Precisei de alguém que me pedisse pra fazer por ele para que eu tivesse coragem de começar a fazer por mim.

E se eu fui ao ápice da ousadia, recorte baseado em cores, há uma infinidade de meio termos, ou meias cores, que eu posso experimentar sempre que quiser. Se ficar feio, bonito, estiloso, brega, é a minha vida, minha vivência. No fim das contas é só um esmalte, que se tira com acetona se eu não gostar ou que eu posso mudar a cor depois de quinze dias e tá tudo muito bem.

Sobre passar uma cor só a vida inteira, lembrei da Manu, que na época do “garoto errado” ela só pintava as unhas de preto, porque, apesar de usar botas de caubói, era queria mostrar que não era tão country assim (trecho tirado de uma entrevista dela para a Elle Brasil). Curiosamente, depois de um tempo ela descobriu a liberdade de ousar nas “nail arts” a ponto de pintar as unhas cada uma de uma cor e chamá-las de “unhas indecisas”. Depois, ela até teve sua própria coleção de esmaltes, todos coloridos, é claro!

A liberdade das cores, dela e agora minha, foi literalmente nas unhas, mas também se reflete na vida. Se permitir experimentar algo diferente, ainda que a princípio o “diferente” pareça algo tão simples, nos permite subir mais um degrau para a nossa sempre nova e melhor fase. Mais liberdade, mais vivências, mais criatividade, mais sucesso e principalmente, mais leveza e felicidade. Por que no fim, se a sua escolha na manicure – e na vida – for o branquinho ou o pretinho, o que mais importa é se VOCÊ gostou.

E aí, qual cor eu passo amanhã?

WhatsApp
Facebook
Email
Print

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Relacionados

Escrever
Lorena Faleiro

Qual cor eu passo amanhã?

Pintei as unhas de preto. Nada demais. Pintei as unhas – dos pés – de preto. Uau!!! Em um passado imperfeito teria dito que isso

Leia Mais »