Tenho sentido a sua falta. Tenho sentido, muito, a sua falta. Nos primeiros dias em que não éramos mais “nós” eu chorei, várias vezes. E na tentativa de viver intensamente esse luto, falei tanto de você pra quem quisesse ouvir que em pouco tempo já me senti novamente em paz. Naquele novembro de 2025 eu estava tão conformada de que estarmos longe era o melhor pra mim que duvidei se havia vivido de fato o luto sobre nosso término ou se eu estava apenas ocupando minha mente e minha vida com coisas banais – como sempre fiz em tantas outras vezes, fugindo da dor que era pensar em você. Tive dias tristes, poucos, mas eles vieram. Uma tristeza silenciosa e conformada. De uma forma tão natural eu havia entendido que era o certo a se fazer, o único resultado aceitável para nós: separados. Afinal, mais cedo ou mais tarde saberíamos que nós nunca daríamos certo juntos. Meu temperamento dominante em humanas não me impediu de enxergar o amor como se tivesse resolvendo uma questão matemática. Pensando como uma empresária, tratei logo de explicar ao meu coração que aceitar a rescisão desse contrato (proposta pela outra parte) seria, de fato, a melhor estratégia para a saúde do nosso negócio. Mas, se até o fim dos contratos deixam resquícios nas relações civis, quando foi que me iludi achando que o nosso ponto não me deixaria profundamente marcada? Marcada de saudade. Nas palavras de Clarice: “Saudade é um pouco como fome. Só passa quando se come a presença. Mas às vezes a saudade é tão profunda que a presença é pouco: quer-se absorver a outra pessoa toda.”, E eu tenho sentido tanta saudade de você! Há algum tempo que pensar em você não me traz mais lembranças doloridas das vezes que você me fez chorar. Eu não me permitia querer sentir coisas boas sobre quem já havia me feito sofrer, muito. Só que há a ambivalência dos amores, há o não dito, há o que não se sabe e há o que eu desconheço sobre você. No jogo arriscado de amar, há sempre o risco de sofrer, afinal, “a gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixa cativar.” Ainda que já tivéssemos virados nossas respectivas páginas, teve dias em que eu precisei e você me acolheu. Eu até seguiria sozinha, se precisasse, mas foi tão bom sentir que, se eu ainda precisasse você estaria ali, por mim. E “para todo sempre”, como você mesmo disse. Às vezes me pergunto porque a vida não permite que pessoas boas permaneçam em nossos caminhos ou porque o amor é esse sentimento inexplicado que atinge o ápice da felicidade e da tristeza em um curto espaço de tempo e porque todas as vezes que penso nisso sinto que meus olhos carregam uma sombra de tristeza daquilo que me falta. É forçoso reconhecer que o amor tem me faltado. Considerando meu histórico, corajoso, eu diria. Talvez seja por isso que nossos breves contatos dias atrás me trouxeram tantas lembranças de você. Um pouco antes disso eu afirmei convictamente sobre a maturidade do nosso carinho recíproco, segura sobre o fim dos meus sentimentos por você. Fui tão rápida e decidida, não é?! Uma pena que eu tenha histórico de adiar os lutos. Acredito, afinal, que eu não tenha de fato superado você, só adiei meu luto com uma rotina lotada de compromissos banais. Talvez seja por isso que você e a lembrança de você voltaram ao meu coração com tanta intensidade. Em um dia eu tinha as emoções alinhadas, no outro eu estava (e estou) com os sentimentos fora de controle nessa dose repentina de saudade. Eu queria ter conseguido chorar mais. Agora, me pego chorando a conta gotas todas as vezes que me lembro de você. Quantas lágrimas suas ainda hão de sair? Não é arrependimento. Afinal, não há o que eu poderia ter feito diferente. É só saudade. Saudade do que eu sentia quando estava com você. O que mais sinto falta é de te abraçar, aquele abraço que me acolhia como se eu fosse a criatura mais indefesa desse mundo sendo carinhosamente cuidada. Sinto falta dos olhares, do carinho, da conexão, do descontrole do meu coração. Por mais que eu queira tanto de ver outra(s) vez(es), morro de medo de, se isso um dia acontecer, eu fique completamente desregulada, exatamente como você me deixava, e eu amava! Já que você é único no mundo, as vezes me pergunto se eu nunca mais me sentirei assim novamente. Nas palavras de Ana Suy: “assim como há que se estar vivo para correr o risco de morrer, e há que se correr o risco de morrer para que se possa estar vivo”, se eu estou morrendo de saudade de você é porque eu sinto, sinto muito. Só vive quem sente, estou pois, muito viva e sentindo sua falta, todos os dias.

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Faz brilhar os teus olhos?
Eu estava no Beco do Batman e o artesão da banca em que eu estava me presenteou com um anel, à minha escolha. Olhei todos

