16 de dezembro de 2025

Hoje, li o seguinte: “Depois de ditar o rumo da música por 44 anos a MTV encerra os seus canais de clipes.” Essa notícia pode ter feito sentido pra muita gente, mas nunca fez tanto sentido quanto pra mim. Relembrar a MTV me fez voltar lá pro ano de 2010, quando eu, ainda tão alienada aos canais da tevê aberta, descobri que havia mais, muito mais. Àquela época, a conquista de uma antena parabólica era um marco na vida dos menos afortunados. Por isso, quando chegou a vez de termos uma na nossa casa, tive uma sensação de poder descobrir um mundo paralelo além das novelas da Globo. Eis que em um dia qualquer meu primo, o Dan, me disse pra começar a assistir a MTV. Eu gostava muito de ouvir o que o Dan falava, e de seguir os passos dele, por isso comecei a me interessar e em pouco tempo aquele canal fazia parte de todas as minhas tardes. Arriscava-me dizer que ter conhecido a MTV foi a revolução da minha vida, o que de fato foi. Voltando à manchete da notícia lida hoje, durante muito tempo aquele canal ditou o rumo da música, inclusive pra mim. No auge dos meus 15 anos, as primeiras impressões de música vieram do meu pai, depois de um mp3 antigo com umas músicas que o Dan tinha gravado pra mim e além disso eu ouvia sertanejo, que era o que mais tocava por aqui. Só que a MTV passou a ditar os rumos do meu conceito musical de forma diferente. Assistir o MTV Now era conhecer os clipes recém lançados; no Rádio MTV eu conhecia as músicas mais tocadas do momento; no MTV Clássicos, as clássicas que nunca saíam de moda, e por aí vai. Foi a partir dessas vivências que conheci e fui profundamente influenciada por algo que o mundo ainda não havia me mostrado: os cantores além de Goiás, além do Brasil. Era época de Lady Gaga, Katy Perry, Black Eyed Peas, Justin Bieber, Paramore, Taylor Swfit e vários outros da minha época teenager. Por isso, por alguns anos a MTV ditou, de forma muito profunda, o rumo das minhas preferências musicais e a partir disso me tornei uma adolescente mais atenta às liberdades do mundo, afinal, ver a Lady Gaga cantando “Judas” e a Katy Perry cantando “I kissed a girl and I like it” dá uma sacudida e tanto em qualquer menininha do interior. Por isso, penso que ela não foi tudo, mas com certeza o início da transformação disruptiva dos conteúdos artísticos que eu passei a consumir – músicas, filmes, séries, livros, programas de tevê… o que interferiu diretamente no pensamento crítico e noção cultural que carreguei até hoje. E como todo ciclo tem seu fim, me despedi da MTV no início da faculdade – uma pena que àquela época ela parou de ter espaço na minha vida -, e agora ela se despede de nós. Num mundo presente em que nossa atenção é cobiçada o tempo todo, manter um canal ativo se torna um grande desafio quando os recursos financeiros são regrados. RIP MTV, e obrigada pelo tempo que estivemos juntinhas.

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