02 de novembro de 2025

Tenho sentido a sua falta. Tenho sentido a sua falta. Hoje. Especialmente hoje. Muito. Há 8 dias que não somos mais nós.  Nos primeiros dias houve choro, dolorido e consciente. Falei de você e do nosso término para mais pessoas que falei de alguém a vida toda. Dizem que é assim que se vive o luto. No terceiro dia eu tive vontade de voltar a viver, eu me senti leve. Era o que precisava ser feito. Aliás, mesmo que eu pressentisse que o fim estava próximo, o papel de pôr fim a nós veio por sua conta. Era difícil assumir que veio de você. Eu preferia dizer: nós terminamos. E nos dias que se seguiram depois do 3º eu lembrei pouco de você, não buscava lembranças suas, não te via, não chorei. Esse luto disfarçado de apatia me fez questionar vários pontos: será que eu estou vivendo esse luto de verdade ou só fugindo dele como sempre fiz? Será que era tão evidente que nós não daríamos certo assim que eu nem estou sofrendo por isso? Quando foi que estar com você se tornou tão agoniante e agora eu me sinto tão aliviada? Agora eu consigo respirar. O nosso fim foi o melhor que poderia ter acontecido. Será? Tudo isso até ontem, tudo isso até eu refletir sobre nós por outra perspectiva. Tudo isso até hoje. Hoje lembrei tanto de você. E por mais que eu tenha a certeza de que eu fiz tudo por nós, eu ainda fico me perguntando se eu tivesse esperado mais um pouco, se eu tivesse usado outra palavra, se eu tivesse deixado passar o dia ainda existiria nós. Hoje finalmente senti muito a sua falta. E sinto profundamente meu descontentamento com a injustiça dos desencontros das almas boas. E se eu tivesse feito isso? E se não tivesse falado? E se você fosse assim? E se eu te explicasse que você entendeu errado? Então eu me lembro que graças a Deus foi você que pôs fim a nós e essa culpa eu não carrego. E lembro também que ninguém se relaciona sozinho. Que é humano sentir falta e que você não vai voltar, eu acho.

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