Depois de infinitos compromissos sociais, não me recordo de um sábado em que eu pudesse ter acordando podendo “viver devagar”. Digo isso, porque pelo menos nos últimos três meses a maioria dos finais de semana tem sido um compromisso seguido de outro. E, mesmo que sejam eventos de lazer, ainda assim fazem parte de uma rotina cheia de obrigações. Só recentemente me dei conta disso. Ainda assim, hoje marquei um café da manhã com uma amiga. Ontem teve festa na cidade vizinha e optei por não ir. Melhor escolha. Aos poucos tenho refletido muito sobre o que de fato me faz feliz e talvez, as festas daqui não sejam mais tão tentadoras quanto aproveitar minha quietude. Ontem foi a da “Casa Amarela”, a Escola de Artes de Silvânia. A casa onde brinquei muito na minha infância agora se tornou o berço de fomento da cultura na cidade. Ainda não sei dar nome a este sentimento, mas ontem algo me mudou. Mudou, porque falar de arte é tocar em um dos meus pontos mais sensíveis. De alguma forma, sinto que a arte está em mim, mas nem sempre permito que ela desabroche. Estar em arte me permite acessar um mundo só meu e talvez seja nela em que resida toda a liberdade de ser eu mesma, na minha forma mais genuína. A vontade de fazer arte me acompanha de um jeitinho discreto. Pra ser artista é necessário ter tempo, tempo pra nós mesmos. É no descanso criativo que vem as melhores ideias. E talvez seja por isso que minhas ideias estejam tão distantes. Me surpreendi quando na aula de inglês da última quinta-feira tivemos que responder a seguinte pergunta: What do you like to do in the free time? Sendo completamente desonesta comigo mesma respondi: I like to sleep, to read, and to whatch soup opera (Pantanal). Mas a realidade é que eu pensei? Que tempo livre? Ultimamente eu só tenho dormido, muito. Foi aí que escutei Emicida cantando na minha cabeça: “Vejo a vida passar num instante, não será tempo o bastante pra viver? Não sei, não posso saber.” Então, algo muito sutil voltou a queimar em mim: preciso de tempo para voltar a criar. Deixar a arte desabrochar é ir nas profundezas de quem eu sou. E por isso eu vivi esse sábado de uma forma tão cotidianamente peculiar, vivendo a riqueza dos dias sem pressa, alternando entre o sabor de uma comida simples, a leitura de um bom livro, uma boa novela, uns cochilos gostosos durante todo dia; contrariando Cazuza, sem qualquer veneno antimonotonia. Aliás, é no tempo livre que a arte aparece, no meu caso, volta a aparecer.

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Faz brilhar os teus olhos?
Eu estava no Beco do Batman e o artesão da banca em que eu estava me presenteou com um anel, à minha escolha. Olhei todos

