Se não der Brasil, que dê amor
Querido amor da minha vida,
Queria que você viesse bonito, com um shape gostoso e me amasse. Seria bom que você tivesse umas tatuagens e um jeitinho meio alternativo sabe. Também queria que você andasse de moto, curtisse umas coisas esotéricas e amasse viajar. Por fim, que você fosse esforçado, trabalhador e tão ambicioso quanto eu. Sei que encontrar alguém assim parece difícil demais, por isso eu não me importaria, por exemplo se você torcesse pro Goiás (nunca pro Atlético) ou acreditassem num outro Deus. Quanto à política pensei em ignorar sua opinião, só pela tentativa de fazer dar certo. Mas, não consegui e tenho que ser sincera com você sobre meus sentimentos. Eu não seria completamente apaixonada se as ideias que você concorda fossem as mesmas que eu desprezo, ou se chegasse cansada ao final do dia e você não entendesse minhas angústias sobre os problemas sociais, ou se não fosse inteligente o suficiente para interpretar textos, ou que não valorizasse a arte na formação de um país e principalmente, se não incentivasse minha luta como mulher. Eu poderia ter, e até tenho, vários amigos do lado de lá, mas não um amante. Pra te encontrar, eu até seria capaz de negociar algumas diferenças, mas não os meus valores, afinal, o amor também há de ser político. Sei que você está por aí e espero que a gente se reconheça, sei lá, gostando do mesmo livro, ouvindo a mesma música ou em uma curtida qualquer numa publicação sobre sementes estrelares. Enquanto espero, se no final do mês não der Brasil, que pelo menos dê amor.


