Na estante dos silvanienses

A história diz que o prédio surgiu em 1919. Oitenta anos depois, aprendi a ler, sozinha. Aos sete, fiz minha carteirinha da biblioteca e me tornei a leitora de nº 240, número que nunca esqueci. Às vezes folheio as primeiras páginas de Asterix e Obelix só pra ver minha assinatura, com caligrafia de quem ainda aprende a escrever.  Ainda me apego ao ver a coleção do Sítio e lembro do cheirinho de mofo quando tomei emprestado “Dom Casmurro” pela primeira vez. O Mundo de Sofia foi meu por três vezes. O Morro dos Ventos Uivantes foi o último da minha ficha, agosto do ano passado.  Quis ser uma leitora voraz, mas descobri que livros, embora finitos, não se esgotam. Já visitei tanto esses corredores e hoje me vejo refletida na estante dos silvanienses. Que honra a minha dar algo de mim ao espaço onde sempre me encontrei.

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