Dominguinho ☀️

Hoje é hoje, 24 de janeiro de 2026, mas eu preciso falar sobre ontem. Preciso muito falar sobre ontem. Escrevi tantas palavras no meu bloco de notas porque não queria deixar passar um detalhe sequer sem descrever aqui a emoção que vivi. Estou tão emocionada que me pergunto a todo momento se já consigo nomear o que senti.

Ir ao Dominguinho era um desejo, daqueles sutis sabe: “Eu acho o álbum tão gostosinho, queria ir. Se der pra ir deu, mas se não der, tudo bem.” Só que acabei descobrindo que toda vez que seu coração vibrar um desejo, é muito importante que eu o ouça. Felizmente, o destino colocou em meu caminho uma amiga que fez um convite mais concreto e um amigo que me deu ótimas recomendações: “Lorena do céu, foi um dos melhores shows que eu já fui (…), esse fica no top 3, muito lindo, nossa que show maravilhoso.” – e quando um conselho vem de um amigo com uma alma vibracional tão parecida com a minha, vale a pena segui-lo.

Falamos sobre o show na análise e terminamos assim: Esse show é pra ser vivacional! Ele foi.

Essa morena que vos fala, e que orgulho de ser morena – falaremos sobre isso ao longo do texto – se viu morando naquele show.

Dominguinho é mais que casa, é lar. É aconchego, lembrança, riso, ternura, amor, é vida! Penso que o maior elogio que se possa dar a uma experiência é dizer que você a viveu. Digo viver, no sentido mais intenso da palavra, viver é perdurar, ir além da mera sobrevivência, é se deliciar vagarosamente pela experiência. Foi isso que aquele show – ou será um espetáculo – me proporcionou.

Eu amo me amar, só que lá, eu me amei ainda mais. Eu amo saias longas, roupas largas, cabelo natural, enrolado, pele bronzeada; essa é minha forma mais genuína de ser. Essa é a real Lorena e tudo que me aproxima dela ganha meu coração. Viver dominguinho cantando pras morenas é me encontrar dentre elas, afinal, eu não seria Lorena se não fosse morena.

A minha preferida do repertório foi escolhida:

“Sorriso de lado, olhar feiticeiro
Na boca um batom bem vermelho
Trançando o cabelo no espelho, é tão charmosa
Eu tô derretido por essa morena.”

Entre uma flor e outra, vibrando naquela emoção que só os grandes espetáculos podem proporcionar, me enxerguei ali, naquelas palavras doces e simples, endereçadas a tantas “Lorenas”. Palavras tão gostosas como uma tarde de domingo, a ponto de me fazer querer morar naquelas músicas pra sempre.

Ontem eu viajei. Viajei para um sertão nordestino no qual eu nunca estive lá, mas músicas também têm o poder de transcender. Ouvir música é revisitar a história de alguns, tantos alguns ou algumas que podem até ter se perdido durante o caminho, mas jamais ficaram esquecidos no coração do poeta. Em poucas horas, conheci rostos, ouvi histórias, visitei lugares e estive dentro de corações de homens e mulheres, até então anônimos, mas que ganharam nome e representatividade dentro das palavras atemporais de quem as canta.

Não só o João, o Mestrinho e o Jotapê, mas se eu, tu e nós cantamos, as histórias antes não contadas passam agora a ser conhecidas. Culturas, pessoas, dores e amores agora são relembradas no riso, na boca e no olhar de cada um que canta os hinos gloriosos de resgate a uma cultura tão linda, tão Brasil!!!

Boas músicas é resgatar a saudade de um passado que a gente nem sabia que existia, mas um passado que também faz parte de mim, de nós. Música não é só reviver a história, é também reviver a vida. E como eu vivi! Dancei o meu forró e coloquei os pés num sertão nordestino em que nunca estive presencialmente, mas que sinto que lá também é minha casa. Afinal, tem um pouquinho de nós em casa canto desse Brasil, e por que não, também no sertão, morenas?

O que vivi ontem foi tão profundo que me emocionei em vários momentos – de alegria. Eu não só revisitei a história contada ali, eu me revisitei. Vibrar, na companhia de onze mil pessoas pelas coisas mais belas da vida é tão extraordinário que transcende minha definição de felicidade. Eu não sabia que precisava daquele momento até vivê-lo. Por isso morenas, não passem por essa vida sem antes ir ao Dominguinho.

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